Amor Recolhido
Subo, e as vezes desço muito rapidamente do mundo onde nada é semente, vida e calor, até onde preciso chegar de uma forma tão rápida e sem apagões que me causam um medo enorme.
Quebro e também conserto coisas que nunca poderiam ser tocadas, trocadas, mas sempre há quem queira de outra forma. E eu aceito na maioria delas, porque assim eu quero e me permito. Se não me fizesse bem, teria eu sabido antes de qualquer um.
Sexo?!?! Prazer carnal que une dois corpos fora de seu estado normal e não, não gozando de suas faculdades mentais perfeitas, honde há muito furor, calor, odor, mas com total certeza nenhum pudor. A carne se toca com outra carne e tudo gera estímulos sensoriais, sexuais, virtuais, o que levam as bocas a gemerem, as pessoas tremem e quando menos se espera, parece que o mundo inteiro ficou em silêncio ou então vem uma impressão de que todas as buzinas de todos os carros do mundo tocam ao mesmo segundo e nada mais existe além de ti e daquele corpo que se encontra ali, sôfrego, suado, em estado de total letargia.
Loucura?
Acho que sim, tanta coisa é conhecida e desconhecida e tantas coisas nos causam medos que nunca saberemos de onde vem.
O único medo que eu, com certeza, não tenho, é o medo de amar, e sofrer por amor, e chorar uma noite inteira por alguém que não te quer mais, abraçar uma foto e pedir pra que ele volte, sem obter resposta alguma daquele inanimado pedaço de papel. Até que tu descobres que tudo não passa de amor, amor recolhido.

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