25.10.04

Alianças à parte

As alianças que ontem retiniam dentro de uma gaveta, agora encontram-se derretidas, de modo que formarão outro casamento, talvez mais feliz que o anterior, talvez mais rápido, talvez....
Minha insegurança e meu impulso dizem que eu não faça nada. Já meu coração, grita incessantemente, que eu aceite teu convite, tua proposta.
Com o som das palavras que saíam de tua boca, formei uma corrente e açoitei meu coração, depois apertei tanto, mas tanto que cheguei a chorar.
Tu sempre fazes isso comigo. Me pegas desprevinido, no momento em que mais estou mal, fazendo com que eu me assuste de tal forma. Não gosto de descrever a sensação, é sôfrega.
Agora firmamos uma aliança, se é que tu realmente querias isso. É claro que querias. Porque tu fizestes isso? Não obrigado, não quero saber. Talvez a verdade doa demais e este não é momento de sofrer, é momento de viver ao teu lado, libertar-me da prisão que sempre esteve construída à minha volta, sem deixar ninguém chegar perto dos meus sentimentos, só tu.
Quero que saibas que amor não se compra, não se vende, não se empresta. Amor, é conquista. Todo dia uma nova conquista...
A conquista de uma nova terra inexplorada e selvagem, com apenas dezessete anos de vida, com apenas um pouco de medo de amar...
Do outro lado do mar de lembranças que ainda nos separam, está uma terra tórrida, sem uma gota de orvalho sequer, que, apesar de mais velha, ainda sofre com ventos juvenis, e espera, e busca, incansavelmente, o encaixe perfeito, onde possa descansar seus braços cálidos, cansados de tanto te amar!!!!!!!

23.10.04

Vivo!!!!

Vagavam noite afora, sem rumo, apenas com o ponto de partida definido e nada mais.
Em meus olhos, o sangue derramava-se em abundância pelos cantos, formando grossas lágrimas, coaguladas sobre meu lábio túrgido.
Cada lágrima que caía, duramente, pelos vincos do rosto crestado pela noite quente, deixava um rastro de tristeza e morte, que arrebanhava milhões de curiosos, fanáticos, abutres que perseguem o sangue morto e seco.
O som de cada gota era mórbido, nefasto, funesto. Ele jazia imóvel , sob flores que tiravam o foco de sua beleza. Seu rosto sorria um sorriso sem vida, sem cor.
Agora, as lágrimas que antes eram de sangue, tornam-se lágrimas de dor. E quanto mais eu chorava, mais aquela sala se infestava com meu sofrimento. Até que tu chegaste, e com teu rosto lívido, sôfrego e seu olhar penetrante, tomou-me por inteiro, sem pedir licença, invadindo minha vida.
As lágrimas sanguíneas secaram e tu fostes ocupando um espaço em mim que não estava vago, que encontrava-se em interdição, talvez eterna.
Todos os sentidos se confundiam. Libido, endorfina, adrenalina. Meu corpo, antes em estado de catalepsia sentimental, ressuscitou de um sobressalto, sentindo teu hálito leve, alcoólico e inebriante.
Gentileza gera gentileza. Tu me ensinaste a te amar e a te respeitar como nunca havia amado alguém antes.
Teu olhar, encanta meu olhar. E todo desespero se dissipa lentamente, como se estivesse no colo de minha mãe, como se tu fosses meu porto seguro, meu porto solidão.
E a ti, dedico cada minuto de meu dia, cada gesto desesperado de saudade.
Agora sim, acho que posso dizer que amo. Que me amo, porém, antes de tudo, amo a ti. Sobre nosso leito, agora de amor, repousam lembranças sórdidas e sujas, que ficaram esquecidas num passado longínquo.
Cinzas de sonolentos metais me fazem adormecer, sob teu abraço. E cada vez mais, me sinto vivo.
VIVO.....

22.10.04

O Tempo que sobra

Hoje fazem três meses que meu peito está aberto,
O coração pula feito criança,
Grita, chora, sofre também.
O calor que sinto a cada instante que estou perto de ti,
Demonstra o valor que tens para mim,
Sem ti, pareço um soldado armado e sem munição,
Um cão feroz e sem dentes.
Ao ataque!!!
Novas fronteiras devem ser conquistadas, a cada novo dia,
Quando o sol da manhã mostra seu rosto e aquece nossos corpos sobre a cama,
Corpos lânguidos e esguios, breves.
E eu te beijo. E a cada dia te amo mais...

20.10.04

Hoje... e só hoje!!!!!

Sei que muitas coisas estão indo bem,
Outras vão, e não voltam...
Hoje me sinto mal.
Cadernos à prova, redigindo me sinto livre,
O mal que me aflige chama-se polaridade,
De versos, de palavras, de sentimentos.
Às vezes sou espanhol, amo ou sofro muito,
Outras, me sinto alemão, forte como o aço.
Mas hoje sou judeu, agredido, humilhado, sem pátria.
Lábios cerrados, abrem-se apenas pela obrigação do labor,
Palavras sem sentido, doídas, corrrem pelos meus dentes,
E voam direcionadas ao nada.
Lágrimas sem porquês correm do canto de meus olhos.
Hoje parece tudo sombra...
Abdico de tudo por um minuto de alento que possa vir a ter,
Ao teu lado, sob ou sobre ti, nada importa.
Não há motivos para estares assim, digo a mim mesmo,
Mas palavras próprias não adiantam de nada,
São vazias, apenas frases de auto-consolo,
Que me fazem, cada vez mais, me perder.

15.10.04

A minha casa

A minha casa era tudo que eu tinha,
Lá havia passado tudo que pudera ter acontecido comigo;
Cupins de sentimentos roíam lentamente o cern da família perfeita.
E tudo foi virando pó.
Graças ao braço de ferro da matriarca invencível, tudo ainda continuava de pé.
Imagens devolutas de um clã de patifaria, onde de perto ninguém é normal.
As bases corroídas pelo tempo ingrato ainda aguentavam as dores e felicidades que haviam sustentadas nelas.
Porém, o filho pródigo sempre retorna a casa.
E a destrói.
Para a construção de uma nova história é necessário apagar o passado indigno.
Maus tempos passaram e balançou muito a velha morada.
Mesmo que o assoalho ruisse, ou a janelça emperrasse, um dos olhos de seus inquilinos a operaria, de forma a deixá-la tal e qual uma mansão Vitoriana.
Mas hoje ela não existe mais...
E meu pretérito imperfeito hoje é só um monte de tábuas, que não servem mais pra nada.
Apenas para o fim de tudo.
Um grande fogo para preparar a carne da refeição que comemorará a inauguração de uma nova história.
Com suas novas paredes azuis...

7.10.04


Centauro Abraçando uma ninfa Posted by Hello

Sou eu?

A noite cai, o sono vem, com ele vem a fome de ti, e tua fome tambem,
Por amor ergo meu corpo trôpego do leito onde tanto nos amamos
E preparo o jantar.
E tu não vens. O insistente telefone toca. E toca novamente. Creio que seis vezes ao todo.
Te chamo novamente. Digo que o jantar e meu coração estão sobre a mesa.
Repito a chamada por ti mais quatro vezes.
E cada vez que me dizes que preferes o sono invencível, sinto que te perco lentamente na vastidão da noite.
Odeio a solidão, preciso de uma companhia qualquer, ao menos uma televisão que fala pra ninguém.
Tu não sabes como é triste a solidão, a refeição.
A companhia da apresentadora do telejornal me faz ter náuseas.
Choro, só, o Tetra Hidro Canabinol é minha companhia. Até que adormeço.
Só...........

6.10.04

Imagem Rembrandt Posted by Hello

1.10.04

Esse tal de Orkut

Sempre tive sérias restrições com o conhecido Orkut. Defendia minha tese de que tratava-se de um bazar de pessoas, onde tudo era fútil, efêmero. Talvez tivesse essa opinião porque baseava-me no caráter das pessoas que me enviavam o convite para fazer parte da gigantesca comunidade virtual e não no site em si.
Recebi um convite de um amigo muito querido e resolvi fazer parte das estatísticas me cadastrando no tal de Orkut, e para meu espanto, gostei do barato.
Acho que a única coisa que me levou a gostar desse círculo vicioso foi o fato de poder descartar pessoas como descartamos embalagens vazias.
Fulano quer ser seu amigo. Você quer ser amigo dele?
( )Sim
( )Não.

Tudo tão fácil e prático. Você escolhe as pessoas e se elas não escolherem você, sinto muito, ele não vai ser mais um dos seua "amigos" virtuais.