A noite inteira, seria nada, séria.
Esperou, com sua Coca-Cola, pacientemente.
Como um cão que pressente seu dono,
Sabia que estava por perto.
Esperou sentado no ponto do ônibus,
Pois sabia que ainda não era chegada a hora.
Atravessara a rua correndo,
Já que os carros corriam mais que ele,
E, se ficasse parado, morreria de tédio.
Fotografias, formaturas, paraninfos,
Voltara à sua casa, com seu corpo de desejo ao lado.
Deitaram-se em uma cama pequena, e ele alí, sempre a esperar.
Sob o lençol fino e colorido, sonhara que afagava seus longos cabelos negros,
Sonhara que beijava sua boca e também que ouvia seus suspiros de prazer.
Quando acordou, viu que ele realmente estava ali ao seu lado, acordado.
E soube que nada daquilo que havia sonhado fora um sonho.
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