29.12.04

A noite inteira, seria nada, séria.

Ontem tivera a impressão de que estava com medo,
Esperou, com sua Coca-Cola, pacientemente.
Como um cão que pressente seu dono,
Sabia que estava por perto.
Esperou sentado no ponto do ônibus,
Pois sabia que ainda não era chegada a hora.
Atravessara a rua correndo,
Já que os carros corriam mais que ele,
E, se ficasse parado, morreria de tédio.
Fotografias, formaturas, paraninfos,
Voltara à sua casa, com seu corpo de desejo ao lado.
Deitaram-se em uma cama pequena, e ele alí, sempre a esperar.
Sob o lençol fino e colorido, sonhara que afagava seus longos cabelos negros,
Sonhara que beijava sua boca e também que ouvia seus suspiros de prazer.
Quando acordou, viu que ele realmente estava ali ao seu lado, acordado.
E soube que nada daquilo que havia sonhado fora um sonho.

28.12.04


Mulher com Livro (Pablo Picasso) Posted by Hello

eU sOzInHo, SoU mAiS...

Quando estou sozinho, sou mais racional,
Quando estou sozinho, me sinto menos sozinho,
Por vezes sou obrigado a te tirar do pensamento,
Por diversos dias pensei nisso sem parar, e conclui,
Que talvez seja bem melhor me afastar,
Sumir, evaporar o suor alcoólico que emana de meus poros.
Chega disso tudo, não sei se quero assim, tudo errado,
Invertido, pressuposto e maculado.
Adoro sentir o cheiro, o toque e o beijo,
Mas me sinto impelido a fugir. Estou com tanto medo,
Quero colo, ou um braço onde possa repousar e esquecer,
Não lembrar, vadiar, embriagado pelas boas lembranças,
Que só ficarão, mesmo, na memória.

27.12.04


Rosa Meditativa (Salvador Dalí) Posted by Hello

A Roda de Gigantes Redentores

A bebida agravava a força da gravidade,
Com os braços enlaçados em tua cintura, vislumbrei o aro de metal, imponente.
Convites, lembranças, subimos, finalmente.
Nós quatro, eu, tu, nós e ela.
O medo de um era o prazer de outro,
E subíamos, e beijávamos...
E descíamos, e beijávamos.
Eu com esta, eu com aquele,
Nós agora, eles também.
Mãos por cima, pés por baixo.
E ali ficamos rodando, longas seis voltas,
Longos, vários beijos.
Tua barba, teu cabelo,
Teus anjos, meus sonhos.
E o pior de tudo, é que estamos conscientes do fazemos .
E gostamos.
E sei que todos hão de concordar comigo, é muito bom
Ter corpos dispostos a servirem aos lábios teus,
Com o calor esperado, desejado sem ser notado.
Espero que o sol nasça amanhã. E espero que lembremos disso
Por longas subidas e descidas, por longos caminhos de redenção.

16.12.04


"O Beijo" - Toulose-Lautrec Posted by Hello

15.12.04

Medo de quê?

Sentir medo, tem ligação com o fígado.
Tristeza está intimamente ligada ao pulmão.
Meu fígado, ultimamente anda irrequieto,
Sente medo de muitas coisas, mas se atreve a te querer.
Meu pulmão, por vezes quase me mata,
Pois a tristeza já havia tomado conta dele.
Depois de tudo, não sei que sentimento
Pode ter ligação com os cabelos.
Creio que seja a alegria, ou então
A companhia que representa.
Por isso não sinto mais dor
Nem no fígado, nem no pulmão.
E quero ser inquilino
Do seu sitiado e meigo coração.

13.12.04


"Na Cama" de Toulouse-Lautrec Posted by Hello

As raízes escondem um segredo

Sobre aquelas raízes que emergiam, fortes, da terra,
Estávamos sentados e transgredindo a lei.
Unidos inicialmente por uma baforada de fumaça,
Trocamos beijos proibidos.
Escondidos pelo tronco da árvore suntuosa,
os ávidos lábios se tocavam.
E por fim, ficamos ali...
Sentados, olhando para o nada
E pensando o porquê de toda essa louca aventura,
Sob a sombra de paixões e lembranças
Que nunca deixarão de existir,
Tal e qual os beijos, enfumaçados.

11.12.04

Teu cheiro, teu colo.

Este é meu mundo, meu chão.
Cada vez que piso aqui, me sinto jovem,
Efêmero.
Teu cheiro de carne profana me excita,
E meus pêlos se eriçam só de te olhar, de longe,
Ou de perto.
Solilóquios de um amor latente, novamente,
Palavra sempre presente, dia-a-dia de um libriano,
Apaixonado por viver. Quero ser o que tu quiseres que eu seja.
Essa vida de escrever, corrigir erros de sentimentos e apagar lembranças
Por vezes me dá medo.
Quero teu colo.

Os Cabelos de um menino chamado Carinho

Tu chegaste. Sabia que ia ser diferente.
Com sua desgrenhada cabeleira, abdiquei.
Quero agora tua presença ao meu lado,
Pois o que passado marcou, a verdade esconde.
E apaga, e deixa um lugar vazio, que será ocupado,
Sem medo e sem indecisão.
Só depende de nós dois.