6.3.05

O Nosso Mundo

Eu bebo a Vida, a Vida, a longos tragos,
Os meus sonhos agora são mais vagos ...
Como um divino vinho de Falerno!
O teu olhar em mim, hoje, é mais terno ...

Pousando em ti o meu olhar eterno
E a Vida já não é o rubro inferno
Como pousam as folhas sobre os lagos ...
Todo fantasma triste e presságios!

A Vida, meu Amor, quero vivê-la!
Na mesma taça erguida em tuas mãos,
Bocas unidas, hemos de bebê-las!

Que importa o mundo e as ilusões defuntas?...
Que importa o mundo e seus orgulhos vãos?...
O mundo, Amor!... As nossas bocas juntas!


Autora: Florbela Espanca

4.3.05

Meia-noite e meia

Girava, rodava, sobrava, ia embora.
Fazia tudo. Fazia nada.
Sorria frio e chorava quente.
Assim que tu és, menino anjo,
Casto, pervertido, retraído e apressado.
O bom disso tudo é que te amo,
E que nos amamos muito bem,
Agora, se vais em paz, é o que importa.