12.5.05

Por favor, com licença e obrigado.

Gosto de escrever sobre tudo, principalmente sobre o comportamento humano. Há cerca de oito anos trabalho como ator de teatro, fato esse que me tornou um grande observador das circunstâncias e dos tipos que encontro pelos caminhos que trilho.
Tenho notado que cada vez mais as pessoas preferem a sua individualidade, o seu mundo paralelo e particular a dividir suas experiências com aqueles que o rodeiam.
Essa característica - nada construtiva na minha opinião - tem levado o mundo para um caminho sem volta, onde o que importa é apenas o que podemos ganhar - ou perder - com determinado relacionamento pessoal.
Temos medo de trazer novos entes ao nosso convívio e pré concebemos adjetivos a eles, para que com isso possamos nos sentir mais tranquilos em não aceitá-los em nosso dia-a-dia.
Em certa ocasião, presenciei um fato que me deixou realmente chateado e que me fez pensar muito mais em toda essa intrincada rede de relações e co-relações humanas.
Um rapaz vinha andando pela rua e esbarrou em uma jovem senhora que transitava em sentido contrário. A mesma carregava alguns livros e revistas e com o safanão deixou cair todos esses volumes. O mesmo rapaz, apressado, virou-se e com um tímido pedido de desculpas achou que estava tudo bem e se foi, praticamente correndo e sem nem se preocupar em ajudar a erguer aquilo que ele mesmo havia derrubado. E com uma nítida expressão de espanto, essa senhora pôs-se a juntar seus pertences e sem dizer uma palavra a respeito, retomou sem caminho.
Então vem o questionamento que não quer calar: Porque deixamos de ser gentis? Será que isso seria culpa de professores omissos que se preocupam única e exclusivamente com ensinar o que está no currículo escolar? Ou seria culpa dos pais, que não podem mais dispender um minuto de seu tão atarefado dia para ensinar aos filhos o que é pessoalidade?
Perdeu-se a gentileza, não se tem mais o hábito de ser cortês e isso faz com que um afastamento, cada vez mais iminente, separe o seu vizinho ou colega ou mesmo pedestre que transita pela rua de nós.
Ensinam as regras da matemática, as datas históricas, as fórmulas químicas e físicas, mas não ensinam que o respeito ao próximo e a boa educaçao são valores que formarão o caráter e a índole dos nossos futuros profissionais, do nosso futuro propriamente dito.
Ensinam que é errado matar, que é errado roubar. Mas não ensinam que a grosseria e a falta de delicadeza, por vezes pode acabar com as esperanças de alguém.
Essa imagem de povo "caliente" que é atribuída a nós latinos, não precisa transformar nossa visão e concepção de educação em algo subdesenvolvido. Ser analfabeto não significa ser mau-educado. Cortesia e gentileza é algo que se adquire em casa e não em escola ou curso privado.
Sejamos educados.
Obrigado.

6.5.05

Viva a "Não Acomodação Popular"

Hoje resolvi voltar a redigir nesse espaço que sempre recebeu meus desabafos e minhas loucuras. Quero escrever como se estivesse fora do mundo, com a visão de quem não presencia os fatos e pode tomar posição, sem entrar no mérito da parcialidade.
Tenho percebido que há cada vez mais um distanciamento entre as pessoas que convivem cotidianamente ou que dividem o mesmo espaço. Estamos partindo pra era "Cada um por si", e cada vez mais a frieza e a impessoalidade toma conta dos - vulgo - seres humanos que transitam pela rua, ou até mesmo dentro de um supermercado.
Sempre questionei e critiquei ferrenhamente o fato de que o contato pessoal tem diminuído progressivamente - e assustadoramente - com o advento dos multimeios de comunicação eletrônicos e principalmente por que as pessoas se julgam a cada dia mais auto-suficientes.
Temos que erguer nossas bandeiras e lutar por aquilo que achamos certo - ou não - já que sabemos que isso funciona muito bem, e temos exemplos fortes disso.
O povo se conforma com tudo que lhe é imposto e minha forma de protestar é essa. É fazendo o que acho que pode mudar, não a consciência de todos, mas um de cada vez. Se tu que estás lendo esse texto, aderir à minha crítica e tomar parte por ela fazendo o que sabe, seja escrevendo, desenhando, gritando ou ficando nu, enfim, conseguiremos muitos adeptos ao nosso movimento de "Não Acomodação Popular".
Não quero iniciar uma nova revolução, ou deflagrar uma guerra do povo contra o governo, apenas quero que a massa popular tenha novamente uma voz ativa, que tenha coragem de tomar posicionamemto por um ideal, que nao seja conivente com essas barbáries que acontecem diariamente perante nossos olhos que, cada vez mais, parecem vendados para a realidade.
Tenhamos personalidade pra dizer NÃO. O simples fato de boicotar um produto por estar com um preço abusivo, já se trata de uma forma elegante de protesto.
Tenha voz também, não seja apenas mais um no meio da multidão que se arrasta pelos caminhos, seja o diferencial e não viva como todos os acomodados que pensam: -Se ele não faz, eu também não farei.
Aqui pago meu tributo à personalidade.

2.5.05

Seja um idiota!!!!

A idiotice é vital para a felicidade.
Gente chata essa que quer ser séria, profunda e visceral sempre. Putz! A vida já é um caos, por que fazermos dela, ainda por cima, um tratado? Deixe a seriedade para as horas em que ela é inevitável: mortes, separações, dores e afins. No dia-a-dia, pelo amor de Deus, seja idiota! Ria dos próprios defeitos. E de quem acha defeitos em você. Ignore o que o boçal do seu chefe disse. Pense assim: quem tem que carregar aquela cara feia, todos os dias, inseparavelmente, é ele. Pobre dele. Milhares de casamentos acabaram-se não pela falta de amor, dinheiro, sexo, sincronia, mas pela ausência de idiotice. Trate seu amor como seu melhor amigo, e pronto. Quem disse que é bom dividirmos a vida com alguém que tem conselho pra tudo, soluções sensatas, mas não consegue rir quando tropeça? hahahahahahahahaha!... Alguém que sabe resolver uma crise familiar, mas não tem a menor idéia de como preencher as horas livres de um fim de semana? Quanto tempo faz que você não vai ao cinema? É bem comum gente que fica perdida quando se acabam os problemas. E daí, o que elas farão se já não têm por que se desesperar? Desaprenderam a brincar. Eu não quero alguém assim comigo. Você quer? Espero que não. Tudo que é mais difícil é mais gostoso, mas... a realidade já é dura. Piora se for densa. Dura, densa, e bem ruim. Brincar é legal. Entendeu? Esqueça o que te falaram sobre ser adulto, tudo aquilo de não brincar com comida, não falar besteira, não ser imaturo, não chorar, não andar descalço, não tomar chuva. Pule Corda! Adultos podem (e devem) contar piadas, passear no parque, rir alto e lamber a tampa do iogurte. Ser adulto não é perder os prazeres da vida e esse é o único "não"realmente aceitável. Teste a teoria. Uma semaninha, para começar. Veja e sinta as coisas como se elas fossem o que realmente são: passageiras. Acorde de manhã e decida entre duas coisas: ficar de mau humor e transmitir isso adiante ou sorrir... Bom mesmo é ter problema na cabeça, sorriso na boca e paz no coração! Aliás, entregue os problemas nas mãos de Deus e que tal um cafezinho gostoso agora? "A vida é uma peça de teatro que não permite ensaios". "Por isso cante, chore, dance e viva intensamente antes que a cortina se feche.

Arnaldo Jabor