13.10.05

A morte clínica e morte poética.

Quando sentimos que nossos sentidos ficam amortecidos, o ânimo se esvai como que por encanto e não se tem vontade de nem mesmo levantar da cama, constatamos que apresentamos um quadro de "morte poética".
A diferença entre a morte clínica e a morte poética é mínima: um coração que bate.
Os sintomas que por vezes são diagnosticados como depressão geralmente se enquadram no quadro de morte poética. Os sintomais mais clássicos são falta de interesse por todo e qualquer assunto, olhar vago, falta de atenção, extinção da vida social e familiar, o que geralmente leva aos entes a pensarem que o "infectado" está envolvido com drogas, com atos criminosos ou com qualquer atitude ilícita.
Quando me encontro nesse estado, questiono muitas posturas daqueles que me cercam.
Será que não tenho o direito de ficar triste ou de lamentar qualquer coisa?
Será que todas as vezes que ficar deprimido e chateado comigo mesmo, os outros irão pensar que aconteceu alguma tragédia?
Não quero que pensem que perdi o interesse pela vida, só quero ficar um pouco a sós comigo, pensar no que fiz durante o ano, medir as consequências das minhas atitudes, das mais corretas às mais inconsequentes, sem me preocupar com o que os outros irão pensar ou dizer de mim.
Pensem o que quiser, digam o que tiverem vontade. Estou recluso, introspecto e melancólico. Me encontro, atualmente, em um quadro de morte poética.

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