13.3.06

Oceano de Perdição

Tento me libertar das amarras que me prendem ao cais, elas são feitas de cipó forte e não me permitem seguir mais longe. Se soltassem meus braços, ficaria livre para sempre, exceto pelo fato de gostar de estar preso.
As pedras nos bolsos colaboram para meu naufrágio, mas me são tão valiosas que nunca me desfaço delas. Estou falido mas ainda consigo ser feliz com o pouco que me resta.
As batidas descompassadas à porta indicam que o carteiro hoje chegou atrasado. Os cigarros aos poucos vão me abandonando e as pessoas também. Seguem livre pelo oceano que não me é permitido. Salve-se quem puder. E morra de solidão os que amam demais.
A cada novo dia vivo um novo julgamento e engulo aos poucos as pedras dos meus bolsos para que pesem em mim, dentro de mim e não mais nas minhas roupas rotas, rasgadas pelas desavenças dos dias frios.
Mais um adeus, menos um na minha lida. Meros acenos breves que são fugidios e não valem nada, senão para recordar. Acenos que são fotos velhas, retratos em preto e branco, retardos de ilusão. Ilusórias imagens. Alusivas cabaças expostas. Sentidos amorfos. Amortecidos por um éter que se chama pesar.
Pesar...Pesar...Pesar...Medir...
Chorar, sorrir.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

e morram de solidão os que amam demais...puta merda, isso é uma facada em nosotros, corações frágeis!!!

17 março, 2006 19:03  

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