5.4.06

Minhas palavras me denunciam e deflagram uma rebelião em mim. Meus braços por vezes fraquejam e minha alma se sente enternecida com a música da voz querida.
Palavras ferem mais que a lança atirada com força, fere mais que tiro de arma sanguinária. Frases são mais eficientes que um regalo.
Grandes homens perderam sua sensibilidade por desprezarem as palavras bem ditas.
Grandes palavras perderam o seu maior sentido por serem ditas de qualquer forma por qualquer homem rude.
O caminho é tortuoso e a jornada infinita. Pelos campos de uma memória apagada sinto um vento alardeando uma frustrante queda. Merda, se me perder agora talvez nunca mais me encontre.
Sempre chega o momento certo para o tiro de misericórdia. Ou sim, ou não.
É minha a decisão. Sou eu meu algoz, eu largo a corda da guilhotina que decepará minha vida. Sou eu meu carrasco, sou eu quem decide a hora do fim. Mas ainda não decidi. Então, quem está aí esperando ver o sangue escarlate jorrando de mim num rio de tristeza e solidão, pode partir. Não será agora meu fim. Ainda tenho que parir.
Um homem nao pode parir?
Então chamo de outra forma, digo que tenho que gerar, criar, ajudar a nascer. Minha inspiração ainda nao findou, logo, não findou minha vida.
Meu amor ainda existe. Minha paixão por mim é maior que a louca necessidade que alimento pelos outros.
Sou feliz. Esse é meu novo mantra de alucinação. Canto de êxtase.
Sou poeta, prosador, cantador de versos meus, ator de peças de alheias, vivente, humano.
Tenho imperfeições por todos os cantos do meu corpo.
E a maior delas talvez seja no peito.
Minha maior imperfeição está em meu coração que insiste em amar como nos velhos tempos, sendo que os velhos tempos já se foram há muito.

1 Comentários:

Anonymous Anônimo disse...

A beleza do teu ser está justamente em sentir-se imperfeito!

Xero!

06 abril, 2006 09:47  

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