14.9.06

O retorno ao mundo das palavras sentidas

Hoje me lanço novamente às divagações que antes me permitia e que, ultimamente, não havia me permitido mais.
Os dias que passam, frios, têm deixado marcas profundas em meu peito e essas ranhuras que ficam são como uma impressão digital, uma identificação única e só minha. As palavras que são lançadas ao vento não podem mais ser recolhidas e na maior parte das vezes não nos damos conta desse pequeno e ínfimo detalhe e acabamos jogando borbotões de maledicências sobre todos que nos cercam. A beleza, a poesia da vida está sendo esquecida. Não nos concedemos mais a graça de ver o mundo com olhos de poeta, sem o peso cinza da desgraça urbana, sem a tragédia iminente que vive rondando muito acerca de nossas vidas. Sejamos poetas, ao menos uma hora por dia, um minuto por ano, um segundo na vida. Quem tem a alma leve não precisa de paleativos, é livre por natureza.
As rimas pobres que pensava em compor, aos poucos vão virando prosa sonora e tomando forma, alguma forma que desconheço. Sinto a inspiração pulsando forte em meu sangue, sempre o sangue.
Às longas baforadas, termino um cigarro. E o fumo gris que fica levitando no ar a minha frente deixa o ambiente com um ar um tanto quanto melancólico, até decadente. Não há poesia sem melancolia, nem melancolia sem saudade.
Perco a noção do tempo e me pego pensando longe. Sinto um calor típico da poesia e vejo recifes coloridos à minha frente. Sinto como se estivesse sendo devorado por um leão, não literalmente devorado, mas consumido, aceito de fato. Amado, sem mais.
As peripécias das palavras...elas fogem e voltam a mim num incessante cambiar, num carrosel de sensações, numa série de imagens devolutas e inacabadas. Espere, tenho que voltar ao meu mundo, ao espaço onde tenho certeza que sou eu mesmo e onde nada mais pode me atingir.
Esse peito que insiste em cantar as coisas belas do mundo é o mesmo peito que sente as dores de estar calado, poeticamente morto.
Será que essas palavras todas possuem algum valor?
Para muitos, serão meras linhas vazias, sem beleza estética, sem métrica nem função, mas para mim são verdades, sentimentos expostos de forma rara, uma confissão pública de sensibilidade. Sim, sou sensível e não pretendo me esconder atrás de uma máscara, ao menos por enquanto. Essa exposição de idéias não é descabida, ela tem um objetivo. Ela serve para dizer a esse leão que me consome e aceita que sinto muito prazer em ser devorado, em ser conhecido. Digo a esse mesmo leão que aceito ser amado, que faça bom proveito de mim, pois serei sempre alimento para sua inspiração. E a recíproca é verdadeira.

Buon Apetit!

Camões já dizia: O Amor é servir a quem vence, o vencedor.
Estou rendido, sou cativo por vontade própria. Sou prisioneiro de um coração pleno, sou amante de um leão do norte.

11.9.06

Carta ao meu melhor amigo

Quando nos encontramos éramos apenas trabalhadores ocupados com tarefas cotidianas. Depois disso, fomos alimentando um sentimento fraterno e sincero de amizade e cumplicidade. Hoje, meus dias não são mais os mesmos sem meu amigo por perto.
Gosto de escrever aos que me são caros e nunca encontrarei ninguém mais atencioso com meus rabiscos do que tu, meu amigo.
Cada vez mais me sinto perto de ti, cada dia que passamos juntos me sinto mais parte de tua vida. E essa vida ainda promete pregar muitas peças na gente. Isso que me deixa com mais gana de viver. E talvez por esse motivo que tenhamos chegado um ao outro, amamos a vida e a liberdade de maneiras muito semelhantes.
Existem sentimentos que jamais conseguirei descrever, um deles inclusive é o que alimento por ti. Não sei como descrever o que se passa comigo, só sei dizer que confio, não tenho medo de abrir todos os meus recantos à luz de teu conhecimento, às vezes acho que me conheces melhor que qualquer um. É verdade todas as manifestações de carinho que te fiz até hoje. Se existem relacionamentos que perdem o valor com o tempo, esse não é o nosso caso. Mantemos um caso de amor muito mais que carnal, maior que uma mera paixão, sincero como poucos e invejável para muitos.
Sempre cuidei de meus amigos de maneira especial, tive cuidado para que nunca fizesse algo que os desagradasse, porém contigo meu caro, o negócio é mais sério e mais respeitável que com os outros (espero que nenhum amigo além de ti leia isso).
Sei que posso ser eu mesmo quando estou contigo, sinto uma liberdade sem igual.
Apesar de todos os percauços que temos que passar, o que mais me conforta é saber que conto com alguém mais fiel que qualquer amigo que já tive. Sinto que cada vez se banaliza mais a palavra "amizade". Conhece-se alguém na fila do banco e já se considera esse ser um amigo. As relações humanas estão cada vez mais efêmeras, os outros estão dia a dia mais distantes de nós mesmos, parecendo que se busca uma auto-suficiência, uma independência que jamais existirá. Dependemos de outros, precisamos ser ouvidos, precisamos ouvir. Algum dos grandes filósofos já dizia que temos dois ouvidos e apenas uma boca, logo, temos que ouvir mais do que falar. Essa relação nem sempre se estabelece entre nós afinal, falamos pelos cotovelos e não raro cortamos o assunto do outro para pôr em pauta um que julgamos mais importante ou interessante. Mas isso não importa agora, o que importa é que ainda mantemos diálogos vários, e de alguma forma eles alicerçam nossa amizade.
Sei que esse texto é formal e sem graça, 'mas sabes como sou quanto a expurgar palavras escritas de dentro de mim: preciso e ponto.
Aqui deixo minhas angústias, alegrias, encanações e protestos e principalmente o meu mais sincero muito obrigado a ti, amigo de todas as horas, companheiro de todas as indiadas.
Sempre estarei aqui, de braços abertos para ti e jamais exite em me procurar quando achar que deve. O amor que sinto por ti é muito maior, chega estar nivelado ao que sinto por mim mesmo. Amo a ti como a mim mesmo e assim somos amigos, acho que para todo sempre, embora o Renato (o Russo, lembra?) diga que o pra sempre, sempre acaba, eu acredito que pra toda regra há uma exceção. Quer ser essa exceção comigo?

Abraços sinceros do amigo que te ama.

R. Westeuser.