O retorno ao mundo das palavras sentidas
Hoje me lanço novamente às divagações que antes me permitia e que, ultimamente, não havia me permitido mais.
Os dias que passam, frios, têm deixado marcas profundas em meu peito e essas ranhuras que ficam são como uma impressão digital, uma identificação única e só minha. As palavras que são lançadas ao vento não podem mais ser recolhidas e na maior parte das vezes não nos damos conta desse pequeno e ínfimo detalhe e acabamos jogando borbotões de maledicências sobre todos que nos cercam. A beleza, a poesia da vida está sendo esquecida. Não nos concedemos mais a graça de ver o mundo com olhos de poeta, sem o peso cinza da desgraça urbana, sem a tragédia iminente que vive rondando muito acerca de nossas vidas. Sejamos poetas, ao menos uma hora por dia, um minuto por ano, um segundo na vida. Quem tem a alma leve não precisa de paleativos, é livre por natureza.
As rimas pobres que pensava em compor, aos poucos vão virando prosa sonora e tomando forma, alguma forma que desconheço. Sinto a inspiração pulsando forte em meu sangue, sempre o sangue.
Às longas baforadas, termino um cigarro. E o fumo gris que fica levitando no ar a minha frente deixa o ambiente com um ar um tanto quanto melancólico, até decadente. Não há poesia sem melancolia, nem melancolia sem saudade.
Perco a noção do tempo e me pego pensando longe. Sinto um calor típico da poesia e vejo recifes coloridos à minha frente. Sinto como se estivesse sendo devorado por um leão, não literalmente devorado, mas consumido, aceito de fato. Amado, sem mais.
As peripécias das palavras...elas fogem e voltam a mim num incessante cambiar, num carrosel de sensações, numa série de imagens devolutas e inacabadas. Espere, tenho que voltar ao meu mundo, ao espaço onde tenho certeza que sou eu mesmo e onde nada mais pode me atingir.
Esse peito que insiste em cantar as coisas belas do mundo é o mesmo peito que sente as dores de estar calado, poeticamente morto.
Será que essas palavras todas possuem algum valor?
Para muitos, serão meras linhas vazias, sem beleza estética, sem métrica nem função, mas para mim são verdades, sentimentos expostos de forma rara, uma confissão pública de sensibilidade. Sim, sou sensível e não pretendo me esconder atrás de uma máscara, ao menos por enquanto. Essa exposição de idéias não é descabida, ela tem um objetivo. Ela serve para dizer a esse leão que me consome e aceita que sinto muito prazer em ser devorado, em ser conhecido. Digo a esse mesmo leão que aceito ser amado, que faça bom proveito de mim, pois serei sempre alimento para sua inspiração. E a recíproca é verdadeira.
Buon Apetit!
Camões já dizia: O Amor é servir a quem vence, o vencedor.
Estou rendido, sou cativo por vontade própria. Sou prisioneiro de um coração pleno, sou amante de um leão do norte.
Os dias que passam, frios, têm deixado marcas profundas em meu peito e essas ranhuras que ficam são como uma impressão digital, uma identificação única e só minha. As palavras que são lançadas ao vento não podem mais ser recolhidas e na maior parte das vezes não nos damos conta desse pequeno e ínfimo detalhe e acabamos jogando borbotões de maledicências sobre todos que nos cercam. A beleza, a poesia da vida está sendo esquecida. Não nos concedemos mais a graça de ver o mundo com olhos de poeta, sem o peso cinza da desgraça urbana, sem a tragédia iminente que vive rondando muito acerca de nossas vidas. Sejamos poetas, ao menos uma hora por dia, um minuto por ano, um segundo na vida. Quem tem a alma leve não precisa de paleativos, é livre por natureza.
As rimas pobres que pensava em compor, aos poucos vão virando prosa sonora e tomando forma, alguma forma que desconheço. Sinto a inspiração pulsando forte em meu sangue, sempre o sangue.
Às longas baforadas, termino um cigarro. E o fumo gris que fica levitando no ar a minha frente deixa o ambiente com um ar um tanto quanto melancólico, até decadente. Não há poesia sem melancolia, nem melancolia sem saudade.
Perco a noção do tempo e me pego pensando longe. Sinto um calor típico da poesia e vejo recifes coloridos à minha frente. Sinto como se estivesse sendo devorado por um leão, não literalmente devorado, mas consumido, aceito de fato. Amado, sem mais.
As peripécias das palavras...elas fogem e voltam a mim num incessante cambiar, num carrosel de sensações, numa série de imagens devolutas e inacabadas. Espere, tenho que voltar ao meu mundo, ao espaço onde tenho certeza que sou eu mesmo e onde nada mais pode me atingir.
Esse peito que insiste em cantar as coisas belas do mundo é o mesmo peito que sente as dores de estar calado, poeticamente morto.
Será que essas palavras todas possuem algum valor?
Para muitos, serão meras linhas vazias, sem beleza estética, sem métrica nem função, mas para mim são verdades, sentimentos expostos de forma rara, uma confissão pública de sensibilidade. Sim, sou sensível e não pretendo me esconder atrás de uma máscara, ao menos por enquanto. Essa exposição de idéias não é descabida, ela tem um objetivo. Ela serve para dizer a esse leão que me consome e aceita que sinto muito prazer em ser devorado, em ser conhecido. Digo a esse mesmo leão que aceito ser amado, que faça bom proveito de mim, pois serei sempre alimento para sua inspiração. E a recíproca é verdadeira.
Buon Apetit!
Camões já dizia: O Amor é servir a quem vence, o vencedor.
Estou rendido, sou cativo por vontade própria. Sou prisioneiro de um coração pleno, sou amante de um leão do norte.
