7.8.07

Magnificat

Quando é que passará esta noite interna, o universo,
E eu, a minha alma, terei o meu dia?
Quando é que despertarei de estar acordado?
Não sei. O sol brilha alto,
Impossível de fitar.
As estrelas pestanejam frio,
Impossíveis de contar.O coração pulsa alheio,
Impossível de escutar.
Quando é que passará este drama sem teatro,
Ou este teatro sem drama,
E recolherei a casa?Onde? Como? Quando?
Gato que me fitas com olhos de vida, que tens lá no fundo?
É esse! É esse!
Esse mandará como Josué parar o sol e eu acordarei;
E então será dia.
Sorri, dormindo, minha alma!
Sorri, minha alma, será dia!


do mestre Álvaro de Campos (heterônimo de Fernando Pessoa), 7-11-1933

1 Comentários:

Blogger Unknown disse...

Vim agradecer ao comentário no meu blog.. eheh
Quanto ao post, se não me falha a memória, minha professora de literatura no ensino médio adorava cita-lo...

28 dezembro, 2007 18:35  

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