13.10.09

Veja bem, meu bem!

Veja bem, meu bem
Sinto te informar que arranjei alguém
pra me confortar.
Este alguém está quando você sai,
E eu só posso crer, pois sem ter você
nestes braços tais.

Veja bem, amor.
Onde está você?
Somos no papel, mas não no viver.
Viajar sem mim, me deixar assim.
Tive que arranjar alguém pra passar os dias ruins.

Enquanto isso, navegando vou sem paz.
Sem ter um porto, quase morto, sem um cais.

E eu nunca vou te esquecer amor,
Mas a solidão deixa o coração neste leva e traz.

Veja bem além destes fatos vis.
Saiba, traições são bem mais sutis.
Se eu te troquei não foi por maldade.
Amor, veja bem, arranjei alguém
chamado "Saudade".
Eu não busco nada além da felicidade.

Eu não quero nada mais do que a realização dos meus desejos.

As relações humanas estão putrefatas, estão se decompondo pouco a pouco. Os alicerces da comum unidade humana ruíram há muito e não há mais quem se entenda nesse caos supostamente ordenado por uma ilusória tecnologia em avanço.

Tudo há de acabar iminentemente. Todos viverão reclusos em seus mundos fétidos de escuridão, o odor de mijo fermentando exalando de todos os cantos enegrecidos pela falta de luz do conhecimento.

A razão perdeu a razão. As trevas irão reinar, mesmo com todo o progresso anunciado e sem efeito nenhum. Todos perderam a razão. Todos perderão a pouca razão que ainda resta.

Não venham com essa história de avanços. Nós estamos avançando para a morte anunciada.

Uma crônica breve de negror funesto que irá se abater sobre todos os espaços.

E toda a humanidade ficará morta, embora muitos ainda permaneçam com seus pálidos olhos brilhantes. A morte da alma, sem morte do corpo.